| Região sofre com Stress Hídrico e Escassez Absoluta |
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Abrangendo uma área pouco superior a 15 mil quilômetros quadrados e com população estimada em quatro milhões de pessoas, a região das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí foram favorecidas pela natureza na distribuição da água pelo planeta. Infelizmente, isto não foi o suficiente para evitar que atualmente a região enfrente, sistematicamente, problemas de escassez de água, fenômeno chamado stress hídrico. Uma região cuja disponibilidade de água para cada habitante é menor do que 1,7 mil metros cúbicos anuais é considerada sob stress hídrico. Em nossa região, este índice, registrado em 1996, foi 1312 metros cúbicos. Embora o consumo anual de água na região represente apenas cerca de 20% deste montante (250 metros cúbicos por pessoa) deve-se lembrar que este número representa a disponibilidade média anual, e que, em nossa região, os efeitos da sazonalidade são determinantes. Nos períodos mais longos de estiagem, a disponibilidade de água despenca para menos de 500 metros cúbicos para cada habitante, situação considerada de escassez crônica. Nestes períodos, mesmo estimando-se a vazão total da bacia em torno de 50 metros cúbicos por segundo, a vazão existente em cada ponto do rio é tão baixa que inviabiliza a captação, e a concentração de poluentes torna-se tão alta que inviabiliza o tratamento. É o que os técnicos chamam de “vazão virtual”. Como uma região tão favorecida pela natureza chegou a tal situação? Primeiro, é preciso observar que o problema, que vem se agravando rapidamente, já tem uma história de quase cinco décadas. Ainda na década de 50, a mortandade de peixes que levou a extinção do fenômeno da piracema chamou a atenção da sociedade. O desastre foi atribuído ao lançamento de vinhoto, um resíduo de usinas açucareiras, diretamente nos rios. Desenvolveram-se então estudos para solucionar o problema, e finalmente, já na década de 70, o vinhoto passou a ser reutilizado como adubo e na irrigação dos próprios canaviais. No entanto, medições realizadas na época constataram que, ainda assim, continuava alto, e agravando-se, a concentração de poluentes em diversos pontos da bacia. Desde então, está patente a necessidade de tratamento do esgoto urbano e de resíduos industriais e agrícolas antes de seu lançamento nos rios. O SISTEMA CANTAREIRA Ainda na década de 70, o governo militar, para garantir o abastecimento da região metropolitana de São Paulo, constrói o Sistema Cantareira, um elaborado projeto de engenharia que desvia 2,7 milhões de metros cúbicos de água por dia, das nascentes do Piracicaba para o abastecimento da capital. Para se ter uma idéia do impacto que a implantação do Sistema Cantareira causou à região, todas a cidades localizadas na bacia, como Campinas, Piracicaba e Americana, entre outras, não consomem, somadas, sequer a metade do que é transferido para São Paulo. A vazão dos rios da região foi sensivelmente diminuída, e, conseqüentemente, aumentou sua concentração de poluentes, reduzindo-se a sua capacidade de assimilação destes poluentes. A região, é claro, opôs-se à implantação deste sistema, e, ao constatar os efeitos nocivos em seus rios, organizou-se para analisar o problema, propor soluções e exigir compensações que, ao menos, amenizassem o problema que lhe foi imposto. Os estudos realizados então, e todos os estudos posteriores que se fizeram, constataram os mesmos problemas e as mesmas soluções: baixa disponibilidade de água no período da estiagem, daí a necessidade de serem construídas barragens para armazenar as águas das chuvas para serem usadas na seca; e baixa qualidade da água, com alta concentração de coliformes fecais e resíduos industriais, resultando na necessidade do tratamento do esgoto antes de seu lançamento nos rios. A implementação de medidas emergencial necessitaria de recursos da ordem de US$ 1 bilhão. No entanto, especialistas afirmam que tal montante, se aplicado hoje, não seria mais suficiente para reverter o quadro de deterioração em que se encontram os rios da região. Devido ao aceleramento do processo de degradação ambiental, ocorrido nos últimos anos, acredita-se que a implantação de sistemas de tratamento de esgoto e a execução de barragens, hoje, apenas evitariam que a situação se deteriorasse ainda mais. Especialistas afirmam ainda que a não execução destas obras, em curto espaço de tempo, deve tornar a água um fator limitante à instalação de novas indústrias na região e podem levar, já em 2005, ao desabastecimento urbano nos períodos mais críticos do ano. Texto extraído do Consórcio da Bacia das Águas |